segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O CNJ e as mudanças

                                                                                            
Cláudio Nunes*

O poder judiciário continua alimentando suas mazelas, oriundas de um comportamento corporativista e de uma cultura burguesa de servir ao sistema a qualquer custo. A um custo que sempre foi muito alto. A sociedade brasileira, e aí se inclui também os pobres, sempre sustentou com seus impostos um poder que fez e faz questão de ostentar riqueza, uma riqueza afrontosa, com juízes recebendo altíssimos salários, com portentosos prédios onde o uso exagerado de granito e blindex sempre foram destacados. Veículos de último modelo, gabinetes luxuosos e refrigerados, tudo isso para ter um “poder” que sempre se mostrou distante das classes menos abastadas ou como é dito popularmente, um “poder” no qual a pobreza nunca teve acesso.

O poder judiciário sempre teve uma imagem amedrontadora, até estando coberto de razão, um pobre treme de medo em ter que sentar-se diante de um juiz, não por outro qualquer aspecto, mas pela certeza de que a justiça ali praticada, dificilmente será em seu favor. Quantas pessoas ordeiras e honestas não já foram sentenciadas injustamente, em razão ter enfrentado nos tribunais, acusações inverídicas de um rico, promovidas por influentes e caríssimos advogados. Tudo isso sob a aquiescência de um poder que se estabeleceu para proteger o sistema e atuar em favor da elite. Aqui não pretendemos sequer citar a venda de sentenças e outras aberrações.

Mas o país vive em constante transformação, porque a democracia tem teimado em se estabelecer entre nós, custe o que custar, e no bojo dessa democracia ainda capenga, surgiu um fato que tem contribuído decisivamente para devolver à sociedade a esperança de ver um poder judiciário atuando em benefício da população de forma definitiva, ou se isso ainda não for possível, que ao menos sejam punidos os corruptores dessa finalidade. Esse fato que restitui a esperança de todos atende pelo nome de CNJ, o Conselho Nacional de Justiça.

*Cláudio Nunes é articulista do infonet

domingo, 14 de outubro de 2012

Palavras de sabedoria


1 - As únicas pessoas que você precisa em sua vida, são aquelas que desinteressadamente precisam de você na vida delas.
2- Aprendi a sorrir, porque chorar eu já nasci sabendo.
3- Pessoas falsas são como produtos piratas, te atraem pela facilidade, mas logo te decepcionam pela qualidade.
4 - Os falsos profetas prosperam porque dizem às pessoas o que elas querem ouvir. Mas não se engane! Haverá o juízo de e então você estará diante de Deus. Você tem que seguir a Cristo, e não ao evangelho fácil. Cristo tem que ser o centro da sua vida, ou Ele não é nada. (Paul Washer)
5 - Amigos verdadeiros podem passar longos períodos sem se falar e jamais questionar essa amizade. Quando eles se encontram, independente do tempo e da distância, parece que eles se viram ontem. Entendem que a vida, às vezes, nos afasta, mas que você os amará sempre.
6 - Quando a gente realmente gosta de alguém idade, distância, altura, peso... são apenas números.
7 - Não tema o futuro... Deus já está lá.
8 - Não questione a vontade de Deus, tudo que Ele faz tem um especial propósito.
9 - Quem fica de joelhos diante de Deus, fica de pé diante de qualquer circunstância.
10 - Escola bíblica dominical: nunca receberemos um diploma, mas a festa de formatura será eterna.
11 - Criticar a mim é fácil, difícil é vir dividir as minhas contas.
12 - Existe uma técnica chamada tomar conta da própria vida. Isso faz bem a si mesmo e aos outros.
13 - Não deixe a tua boca falar aquilo que o seu ouvido ouviu, mas os seus olhos não viram.
14 - Uma grande história é feita de grandes desafios, de conquistas com grandes esforços, formados de grandes sonhos, inspirados num grande Deus e realizados por pequenos, frágeis, simples homens.
15 - As dificuldades devem servir para o seu crescimento. Continue a sua jornada sempre com os olhos para cima, até que os seus adversários desistam de tentar te derrubar.
16 - Humildade não te faz melhor que ninguém, mas te faz mais feliz que muitos.
17 - As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio do olhar de quem te ama.
18 - Três dicas importantes para a sua vida:
Não prometa quando você estiver feliz;
Não responda quando estiver irritado;
Não decida nada quando estiver triste.
19 - Tem coisas que Deus permite na nossa vida para que possamos aprender com elas. E tem coisas que Deus só nos dá quando já merecemos, porque aprendemos a possuí-las.
20 - Três coisas não voltam mais:
A pedra lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Por isso pense antes de falar, de fazer e cuide mais da sua vida.

Autores desconhecidos (Compilado e adaptado por Alberto Magalhães)

                                                                                                                            

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O amor fati:

Em Nietzsche
Para Nietzsche, "amor fati" é amar ao inevitável, amar o destino, amar o justo e o injusto, o próprio amor e o desamor. Ou seja,"ser, antes de tudo, um forte", sem se reclamar da vida, sendo indiferente ao sofrimento. Uma retomada do antigo pensamento grego dos filósofos estóicos.
O Amor fati foi usado por Nietzche para representar a "fórmula para a grandeza do homem" e que significa:
"Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo".
O termo aparece varias vezes em A Gaia Ciência, mas é neste trecho em particular citada de forma mais clara:
"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas.
"Amor fati (amor ao destino): seja este, doravante, o meu amor. Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja ‘desviar o olhar’! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia apenas alguém que diz sim."

Na renascença italiana
O Amor Fati pode ser utilizado para a aceitação virtuosa e serena do destino (fado no sentido de predição, oráculo) que Deus reservaria a cada um dos seres. Como exemplo ideal em Cristo por sua vida dedicada aos desígnios de Deus, em sua reserva e força para com a paixão e seu fim trágico na crucificação.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Primeira pessoa do plural


por Rangel Alves da Costa*

Nos conhecemos na primeira pessoa do singular. Eu te encontrei um dia, num acaso bom da vida, me aproximei e só isso. O tempo verbal era o mesmo tempo de continuar sozinho até que o destino passasse a ser conjugado de outra maneira. Eu, e somente eu, na angústia de querer me aproximar um pouco mais e modificar a lição da solidão.

Você, com o seu eu ainda estranho para mim, se fazia reticente e ponto final. Esse egoísmo em não querer dividir, em não querer partilhar do seu eu enorme, lindo, belo e presente comigo, que era um eu sozinho e carente, estava indo de encontro às regras do amor. O amor tem regras somente para o amor a dois, nunca de um.

Regra número um: o amor existe sempre, mas precisa ser encontrado a qualquer instante. Regra número dois: o amor não pode ser encontrado sem que seja dividido com outra pessoa. Regra número três: dividir o amor perante o outro é deixar de ser um para transformar-se em dois sendo um. Regra número quatro: o amor amado a dois será sempre plural, pois os desejos são e a solidão já não é. Última regra: conjugue sempre o amor na primeira pessoa do plural.

Por que sempre essa conjugação? Porque nos amamos, e assim nós amamos, nós vivemos, nós queremos, nós partilhamos, nós dividimos, nós somos, nós podemos, nós sabemos e queremos esse amor, nós traçamos o destino ferro e flor, nós delimitamos a fronteira que leva à dor, nós construímos para ninguém destruir, nós queremos e assim desejamos gritar: nós nos amamos.

Lembra que eu, quando ainda era eu sozinho, e te encontrei quando estava no seu eu sozinha, e já te queria sem ter chance de dizer, e já te amava sem você nem perceber, e já não resistia mais e você sem se ater? Foi nesse instante que rasguei a gramática da individualidade e pelo chão ficou o pronome pessoal de primeira pessoa do singular, o substantivo masculino, a derivação imprópria do pronome pessoal, o sufixo grego, o latim ellu. O vento foi levando o eu que ansiava em ser nós.

Sentia que podia ter uma nova gramática aberta diante dos meus olhos. Qual o reduzido significado do nós gramatical? Reduzido porque é muito pouco ser apenas pronome pessoal da primeira pessoa do plural de ambos os gêneros, que funciona como sujeito, predicativo e regime de preposições.

Reduzido porque enquanto pessoa gramatical, em nós,  somos a imensidão do amor encontrado e como tal somos os olhos que veem, a boca que diz e pede, os lábios que beijam, as mãos que tocam, o corpo que roça, os pés que seguem em busca, a mente que imagina querer muito mais.

Apagamos o eu, rasgamos o individualismo gramatical, jogamos para longe o contentamento com o pouco e único e passamos a conjugar o amor na sua intensidade. E nessa flexão verbal descobrimos o que o nosso eu analfabeto ainda não havia descoberto até aquele momento: o amor é insaciável, faminto e sedento; o amor é doido de lua cheia e caçador de noites sem lua; o amor é silencioso e gritante, é macio e cortante, é infértil e gestante, é casado e amante, é bem próximo e distante; o amor é rima menos dor, é tudo que se faça, que se peça, que se viva por amor.

Hoje somos nós e conjugamos tudo como manda a gramática de quem ama: na terceira pessoa do plural. Aliás, já que não somos mais um eu individualmente e buscamos ser o nós eternamente, que tal tentarmos descobrir quem é essa terceira pessoa que vive no nosso plural? Pois é, um filho será sempre a terceira pessoa do plural de dois que se amam.

Nós...

* Poeta e cronista
   e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
   blograngel-sertao.blogspot.com    

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A Noite do Cego

por Rangel Alves da Costa*

Logo ao amanhecer, e sentiu isso porque o galo cantou, ele levantou, abriu os olhos, caminhou até adiante para abrir a janela e se deparou com a claridade ainda entristecida do dia. Sentiu o vento soprar no seu rosto e um friozinho invadir os seus olhos. Um passarinho veio e pousou bem ao lado de onde estava, no portal da janela.

Viu o sol surgindo ora marrom, ora esverdeado, outras vezes irradiava uma cor azulada, para em seguida se quietar no violeta. O jardim adiante estava todo vermelho, talvez estivesse ocre ou mesmo sem cor, tinha duvidas, não sabia direito. As nuvens eram negras da cor da água, e a água muitas vezes tinha um tom violeta. Achava tudo bonito, mas não tão belo quanto aquela suave voz feminina que todas as manhãs passava na sua janela e dava bom dia. Que cabelos lindos ela tem, branquinhos da cor de sangue; seus olhos teriam que ser lilases, pois essa era a cor mais sublime que imaginava existir.

Encantador igual aos olhos da menina que passava só mesmo o arco-íris. Não aquele arco-íris das pessoas mentirosas, todas dizendo que suas cores eram o vermelho, o laranja, o amarelo, o verde, o azul, o anil ou indigo e o violeta. Não ele tinha certeza de que suas cores verdadeiras eram o branco, o cinza, o creme, o fosco, o ferrugem, o verniz e o desencarnado. E por que tais matizes? Porque arco-íris só é bonito com essas cores mais leves, que é pra não pesar muito lá em cima e aquela nuvem diferente e encantadora cair e se desmanchar em sete cores mortas.

Um dia ele perguntou à irmã: "Se eu pedir uma coisa azul, bem azul, você me traz?". "Lógico que sim, meu irmão, mas azul tem em muitas coisas, em muitos lugares, num montão de objetos, e em que você preferia?", falou a irmã. E ele continuou: "Primeiro me fale o nome de algumas coisas onde tem um azul bem bonito". "Existem diversos lugares onde o azul é mais bonito. Eu mesma prefiro o azul do céu, que é muito bonito e sempre vai mudando de cor, ora um azul mais clarinho, ora um azul mais corado. Mas também tem o azul da água, que é lindíssimo, e é um azul onde você praticamente enxerga as outras cores no outro lado. E tem ainda o azul do...".

E ela foi prontamente interrompida: "Já chega. Quero que você me traga um pedaço do azul do céu e um pedaço do azul da água, está certo? Corra, vá buscar agora mesmo que eu estou esperando". E a irmã desesperou-se: "Mas como, meu irmão, se não posso subir lá em cima e cortar um pedaço do céu? A água eu posso trazer até aqui num copo, mas o azul do céu é impossível".

"Ora, minha irmã, vocês que veem tudo parece que não enxergam nada. É só me levar lá pra fora e deixar que eu tome banho de chuva com roupa e tudo. Tomando banho de chuva eu vou ter o azul do céu e o azul da água. Não dizem que a chuva vem lá de cima? Então se lá em cima é o céu, ela já cai azulzinha e vai me molhar todinho. E aí eu não vou ter mais essa cor verde cana que tenho hoje e vou ficar todo azul pra sempre".

A irmã o levou para o jardim e deixou que se banhasse todinho de azul. Pouco tempo depois, todo feliz com sua nova cor, pediu a irmã que quando chegasse perto da hora de dormir e se não tivesse mais chovendo ela o levasse novamente para o jardim, que era para que seus olhos enxergassem a noite. Nunca tinha enxergado o dia nem a noite, mas resolveu que queria porque queria enxergar a noite naquela noite.

"Ai meu Deus!", disse a irmã consigo mesma em voz alta. Depois chegou mais perto dele e falou carinhosamente, passando a mão pelo seu cabelo: "Meu irmão, meu anjo, eu tenho certeza que a cor da noite você conhece bem, que em toda sua vida você só tem enxergado essa maldita noite, que a sua manhã e a sua tarde, o seu sol, o seu dia, a sua lua e a sua estrela, sempre têm e terão a cor negra da noite, essa escuridão que sempre está à sua frente e impedindo seus passos para onde queira ir. Meu irmão, meu irmão, a noite está nos teus olhos e a cor da noite está em tudo que você enxerga".

"Mas eu não enxergo nada negro, escurecido. A cor que enxergo é essa que Deus me deu e que não sei qual cor é, pois nunca vi outra cor. Mas só sei que ela é linda e nunca me abandona, nem quando estou dormindo nem quando estou acordado. É sempre a mesma cor". Disse ele com sua noite molhada.

(*) Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com      

terça-feira, 31 de agosto de 2010

E o amor se manifesta...

Eu emburreci. E se você me ama menos por causa disso, é melhor ir descendo do barco. Porque minha burrice vem de querer você, mocinha. De eu tocar em seus cabelos todos os dias e sentir neles cheiro de problema. Problema bom. Já ouviu falar em problema bom? É uma coisa assim, que me consome os dias, me deixa irritadiço, mas no fim das contas quem eu seria se não sentisse essas coisas? Ai de mim se não sentisse essas coisas. Fiz pra você um poeminha. Mas eu acho que nunca vou te entregar, porque acho que ele ficaria menos bonito. O sentimento dado vai ficando menos intenso, como a força das palavras quando são lidas de qualquer maneira. E se bem te conheço, você iria ler de qualquer maneira. Assim, sem pausa, vírgulas, sem a entonação e o sentimentalismo que eu entreguei. Mesmo que eu declamasse não ia adiantar muito, seus ouvidos são péssimos. E você se distrai com facilidade demais. Mas que posso fazer, mocinha? Se em você eu tenho a minha melhor graça, a minha melhor falha, o meu mais nobre erro? Você é maluca assim, contraditória assim, e acha que o tudo é sempre suspeito. Mas dia desses eu emburreci. E se você me quer menos por causa disso, é melhor ir sonhando menos. É melhor ir querendo menos ser feliz. Porque nunca que você vai continuar ao lado de alguém exatamente igual ao dia que você conheceu. As coisas mudam, mocinha. Eu mudei. Mas o meu amor só vai mudando de frasco, de cor de água. Os cheiros dos outros você percebe melhor, porque não está acostumada. Mas o meu é o único que te faz lembrar das coisas necessárias na vida, e faz ferir suas narinas. Você não percebe, mocinha. Você não percebe. Mas eu emburreci. Na madeira, no cimento, na poeira. Um cheiro perdido no ar. E a essência, essa fica ainda mais longe... bem fraquinha bem fraquinha.

Anne Danielle Magalhães

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Ódio

O ódio gasta a lentidão das horas
Abrindo fendas no clamor das preces;
E ri das dores onde a vida chora
E tanto fere que de si padece...

O ódio vive de morrer de fúria
Cravando as unhas onde a calma sonha;
E tanto goza a propalar injúrias
Que sorve a raiva pra beber peçonha.

O ódio fia cada nova teia
Com toda mágoa que retém nas veias,
Ferindo a paz para gozar a dor.

E tanto insano quanto corrosivo
Embora finja ter outros motivos...
O ódio sofre por não ser amor.

(Vaine Darde)